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sábado, 17 de março de 2012

Ser ético, ser herói

Encontrei o texto a seguir que me agradou em vários aspectos, por isso resolvi disponibilizá-lo!!!

Ser ético, ser herói
Renato Janine Ribeiro*

Quem viu o filme Casa da Rússia, com Sean Connery e Michele Pfeiffer? Numa certa altura, entusiasmado, o editor inglês que é representado por Sean Connery diz: “Hoje, para alguém ser uma pessoa decente, precisa ser herói”. É uma frase fortíssima, que muda toda a história que vai acontecer depois – e que por isso mesmo eu não vou contar. Mas quer isso dizer que, hoje, para ser ética, uma pessoa tem que ser heróica? Ficou tão difícil a ética, assim?
É o que ouvimos quase todo dia. Os brasileiros dão muita importância à ética. Dividimos o mundo em gente decente e indecente. Quando algo dá errado, por exemplo uma política pública, automaticamente se pensa em roubalheira, não em incompetência.
Mesmo os bandidos falam em ética. Na cadeia, punem sem piedade quem abusou sexualmente de crianças ou de mulheres. É comum até um criminoso falar na sua “ética”, nos seus valores.
Também, quando tratamos um serviço, é freqüente a pessoa contratada explicar por que ela faz tão bem o seu trabalho e, sobretudo, por que não pratica certas desonestidades que seus colegas (jura ela!) fazem.
Acredite, claro, quem quiser. Mas faz parte do nosso discurso social, da nossa fala com o outro, afirmar: eu sou ético, num mundo em que o resto não o é. Eu sou do bem. O mundo está de pernas para o ar, tudo está errado, mas eu não.
Aqui temos então duas grandes idéias fortes da brasilidade. A primeira é que as coisas em geral não andam bem. A economia nos aperta, a sociedade está complicada, até a amizade e o amor estão em crise. Percebemos bem essa devastação e ela nos incomoda. Mas a segunda idéia é que eu, pessoalmente, ajo bem. Sou honesto.
Serei herói? Aqui é que estão as coisas. Boa parte do auto-elogio (eu sou o único decente num mundo de bandidos) é mentira. Basta ver como termina o serviço do profissional que gabou sua honestidade: tão ruim quanto o dos outros, ou mesmo pior. Então, parece que o personagem da Casa da Rússia tem razão: a ética virou artigo raro. Ser ético é mostrar-se capaz de heroísmo.
Vale a pena então irmos, deste filme recente, baseado num livro de John Le Carré, para a tragédia grega Antígone, que Sófocles escreveu no século V antes de Cristo. Penso que toda reflexão sobre a ética deve começar por ela.
Antígone é filha de Édipo. Dois de seus irmãos lutam pelo poder, e ambos morrem. O trono fica então com seu tio, Creonte, que manda enterrar um dos sobrinhos com todas as honras – e deixar o corpo do outro aos abutres. Antígone não aceita isso. Participa do enterro solene de um irmão e depois sepulta, com os ritos religiosos, o outro, o proscrito.
O rei fica furioso. Está convencido de que é uma conspiração contra ele. Manda descobrir quem violou suas ordens. Ao saber que é a sobrinha, tenta poupá-la: se ela negar que foi ela, ou se pedir desculpas, enfim, ele lhe dá todas as saídas – sob uma condição só, de que ela negue o seu ato. Antígone se recusa e é executada.
Essa história é exemplar. Ela mostra que há um conflito latente entre a ética e a lei. Um governante dá ordens. Estas podem ser legítimas ou não. Creonte fez o que não devia, moralmente, mas é ele quem manda. A lei está com ele. Neste caso, o que fazer?
Vou passar a um caso relativamente recente. Um tempo atrás, eu estava na França, quando um homem morreu na calçada, em frente de uma farmácia, sem que ninguém o acudisse. O farmacêutico explicou: se tocasse no outro, se tornaria responsável por ele. Só um médico poderia fazê-lo. Descobriu-se, porém, que bastaria um remédio simples para salvar o rapaz da morte. O que fazer?
Assisti então a um amplo debate. Foi sugerida uma mudança na lei, para que as pessoas pudessem acudir a seus próximos sem serem processadas, quando agissem de boa fé. Também se propôs um sistema de atendimento mais rápido das emergências. Mas quem, a meu ver, resolveu a questão foi um jornalista, que disse mais ou menos o seguinte:
- Se precisarmos de uma lei que autorize as pessoas a agirem humanamente, a socorrerem os outros sem pensar nos castigos e riscos que correm, não estará tudo perdido? Porque nunca as leis vão prever todos os casos. Sempre, para alguém agir bem, de maneira ética, em solidariedade com os outros, haverá um terreno incerto, um espaço que pode até ser ilegal.
- Precisamos de uma lei nos permitindo ser decentes?, continuou ele. Ou deveremos estar preparados para correr os riscos, até mesmo de sermos presos, quando um valor mais alto se erguer, o valor do respeito do outro?
É este o heroísmo de que falava o personagem da Casa da Rússia. É este o heroísmo que Antígone praticou. E ele exige que, às vezes, estejamos dispostos a infringir a própria lei, a desobedecer às regras, quando for em nome de um valor superior. Em nosso mundo, este valor mais elevado pode ser, antes de mais nada, a vida de alguém. Aliás, costuma haver polêmica sobre o chamado “furto por necessidade”, quando um esfomeado furta comida para sobreviver: isso não é um crime.
Mas as coisas podem ir mais longe. Maria Rita Kehl elogiou aqui, na semana passada, o líder dos sem-terra João Pedro Stédile. O que vale mais, a lei de propriedade da terra, que perpetua uma exclusão social enorme, ou o direito das pessoas a viver, e acrescento, a viver dignamente? Do ponto de vista ético, é claro que vale mais o direito à vida digna.
Nem sempre foi assim. Um pregador puritano inglês do século 17, Richard Baxter, tem uma frase horrorosa. Na época, enforcava-se quem roubasse um pedaço de pão. Ele justifica isso: a vida dos pobres, explica, não vale grande coisa, ao passo que o atentado à propriedade destruiria os fundamentos da própria sociedade.
Não há consenso a este respeito. Uns defendem os sem-terra, outros os atacam. Mas o que quero levantar aqui é algo mais forte: é que a ética e a lei não coincidem necessariamente. Muitas vezes, ser decente exige romper com a lei. Foi assim sob o nazismo e sob todas as formas de ditadura. É assim também quando a desigualdade ou a injustiça impera.
Aí, sim, o ser humano precisa ser heróico. Porque violar a lei, mesmo que seja por um valor moral relevante, significa sofrer as penas da lei. Numa sociedade decente, imagino que o juiz não mandará para a cadeia quem infringiu as normas legais devido a valores morais mais altos, como os que citei. Mas não há garantia nenhuma disso. Pode ser que a pessoa seja punida, mesmo.
E é importante insistir nisso. O que queremos nós: cidadãos obedientes à lei, a qualquer lei, ou sujeitos éticos, decentes? O ideal é juntar as duas coisas. Mas, na educação, devemos apostar na autonomia, isto é, na formação de pessoas que sejam capazes de decidir por si próprias. O que significa que, em casos raros e extremos, elas tenham a coragem de enfrentar o consenso social e suportar as conseqüências de seus atos.
Isso, para terminar, pode fazer de qualquer um de nós um pequeno herói. O heroísmo não está só nas personagens da mitologia grega ou nos super-heróis da TV. Ele pode estar presente quando cada um de nós enfrenta uma pequena prepotência, em nome de um valor mais alto – desde, claro, que arque com os resultados de sua ação e que além disso lembre que é falível e pode estar errado. Mas é desses pequenos heroísmos pessoais que depende a dignidade humana.


*Renato Janine Ribeiro é Professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo, na qual se doutorou após defender mestrado na Sorbonne. Tem se dedicado à análise de temas como o caráter teatral da representação política, a idéia de revolução, a democracia, a república, a cultura política brasileira. Entre suas obras destacam-se "A sociedade contra o social: o alto custo da vida pública no Brasil" (2000, Prêmio Jabuti de 2001) e "A universidade e a vida atual - Fellini não via filmes" (2003).

http://www.renatojanine.pro.br/Etica/heroi.html
Acesso em 17.03.2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Quando de minha formatura na Polícia

Quando de minha formatura na Polícia um oficial superior chegou à frente dos formandos e disse:

Parabéns! Vocês, agora, são verdadeiros homens, porque aguentaram toda humilhação que conseguimos aplicar... Mas, de hoje em diante precisarão levar em conta, além do que lhes ensinamos, que a sociedade espera que vocês consigam: correr, subir paredes, pular muros, entrar em matagais, entrar em casas para prender ou ajudar pessoas, sempre sabendo que, de um jeito ou de outro, muitos os acusarão de invasão de domicílio ou abuso de poder; estar sempre em boa forma física, quando a maioria das pessoas não estão; investigar, buscar e prender um criminoso em menos tempo que cinco juízes levam discutindo a legalidade dessa prisão; prender o criminoso no ato do crime, sem nunca esperar que às vezes possa acontecer a prisão depois, através de investigações (porque, senão, serão chamados de incompetentes e inúteis), e, no outro dia, na folga, ir até o tribunal prestar depoimento (aliás, prestar depoimento não: ser inquiridos como se só tivessem prendido o facínora por não ter tido como receber um suborno); possuir quatro braços, para poder dirigir sua viatura, chamar reforço policial e atirar contra criminosos (exatamente na perna; só na perna, porque, senão, dirão que vocês acertaram em outras partes por maldade, intencionalmente, como se estivessem tranquilamente num stand de tiro esportivo, imóvel, com as melhores armas e com treinamentos diuturnos na arte de atirar) e ainda chamar reforço pelo rádio; além de ter três pares de olhos (um com raio-X físico para saber o que os criminosos escondem em seus corpos; um com raio-X mental para saber as pessoas estão pensando; e outro normal, mas muito bom e treinado, para ver rapidamente todas as circunstâncias que ocorrem durante uma ação policial que, geralmente, dura segundos); cuidar do companheiro e, ao mesmo tempo, olhar uma vítima que esteja sangrando e ter discernimento necessário para dizer que tudo lhe sairá bem; acalmar ou dominar um drogado de 130 quilos sem nenhum incidente e, ao mesmo tempo, manter uma família de cinco pessoas com seu pequeno salário; estar sempre pronto para morrer em serviço, com sua arma em punho e com sentimento de honra correndo junto ao sangue. Mas não é só isso: a sociedade espera de vocês, também, que consigam: não precisar de reconhecimento (pois infelizmente para ser reconhecido e homenageado, mesmo quando façam atos heróicos, terão que já estar mortos); não ter compaixão, pois ao sair do velório de um companheiro, terão que voltar ao serviço e cumprir sua missão normalmente; ao chegar em casa deverão esquecer que ficou de frente com a morte e dar um abraço carinhoso em seus filhos dizendo que está tudo bem; terão que esquecer os tiros disparados contra seus corpos, as ameaças sofridas e o baixo salário; suportar as cenas de crimes, as portas do inferno, consolar a família de uma vítima de homicídio (mesmo quando o morto for um contumaz criminoso) porque, senão, no outro dia lerá nos periódicos que os policiais são insensíveis aos Direitos dos Criminosos; e, por fim, mesmo depois de tudo isso, terão que ter muita coragem para, no dia seguinte, acordar e retornar ao trabalho, sem saber se irá voltar para casa novamente. Só tem uma coisa que, sei, vocês não serão cobrados: que tenham lágrimas! Mas eu sei que as têm, porque vocês são homens e, muitas vezes, choram por todas as emoções que carregam dentro de si; por um companheiro caído; por um pedaço de pano chamado bandeira e por um sentimento chamado justiça!

Dedicação a todos os policiais que deixam suas casas, famílias, amigos e sonhos, encarando a morte no combate à criminalidade, garantindo assim a ordem pública e zelando pela nossa segurança, mesmo que isso custe suas próprias vidas!

Autor: desconhecido (Com adaptações feitas por mim)

Greve reintroduz tema da desmilitarização da polícia

O Jaime, do http://gmfiporgmjaime.blogspot.com mandou-me a matéria que segue e, achando-a interessante, resolvi reproduzir:

Quarta, 15 de fevereiro de 2012, 08h19

Greve reintroduz tema da desmilitarização da polícia
Marcelo Semer*
De São Paulo


Entre as várias discussões que a greve das PMs vai levantar, uma delas certamente será a desmilitarização da segurança.

Apesar de décadas acostumados ao trato e às posturas militares, em algum momento voltaremos à questão central: o policiamento é essencialmente uma atividade de natureza civil.

Nada há de militar no ato de policiar, seja ele ostensivo ou investigatório.

A dinâmica militar tem como princípio a defesa bélica do país, diante de seus inimigos, em estratégias de guerra e defesa territorial. Não a de proteger direitos de cidadãos violados ou ameaçados por conterrâneos.

Essa lógica enviesada que os anos de ditadura nos fizeram crer como natural já não resiste sequer a argumentos circunstanciais.

Muito além do controle estrito que se poderia esperar de uma tropa forjada na disciplina, as Polícias Militares têm demonstrado um alto índice de violência. Chegam a ser responsáveis por quase 1/5 dos homicídios no país, sem contar a proliferação de corpos encobertos por autos de resistência.

Como exemplos dos grandes centros têm nos mostrado, nem a hierarquia militar nem a formação em quartéis impedem a promiscuidade de vários de seus agentes com o crime organizado.

E apesar de todas as proibições legais e constitucionais, fundadas justamente no caráter militar, os PMs se mostraram muito mais articulados sindicalmente do que outros funcionários sobre os quais não recaem tantas vedações.

Do quê, afinal, o militarismo da polícia tem nos salvado?

A formação militar é pouco permeável às aparas cotidianas de uma democracia, como manifestações de movimentos estudantis ou sociais.

Grupos de extermínio ou milícias têm nascido dentro de seus quadros, sem que os comandos, por mais rigorosos que sejam, consigam evitar. A ideia de criação de pequenos exércitos locais, que é base da noção de polícia militar, mais estimula do que repele o nascimento de tais esquadrões.

A incipiência dos salários, por sua vez, jogou parcelas significativas da carreira na prática de "bicos" no setor privado, produzindo uma contraditória terceirização da segurança levada a efeito pelos próprios agentes do Estado.

Por fim, a divisão das polícias só alimenta conflitos internos, com corporativismos que não raro se enfrentam.

O saudoso Mário Covas, que estava longe de ser um revolucionário ou anarquista, começou seu governo em São Paulo propondo justamente a integração das polícias como primeiro passo para a unificação.

Com o tempo, todavia, o tema foi alojado entre aqueles entulhos autoritários que mandamos para debaixo do tapete.

A militarização da polícia foi levada ao paroxismo com a criação de uma justiça própria para julgar policiais e bombeiros. Depois do episódio do Carandiru, a competência para apurar homicídios por eles praticados, por motivos óbvios, foi excluída da Justiça Militar.

A desmilitarização não resolveria todos os problemas.

Continuaria sendo inaceitável, dentro de um estado democrático, qualquer tipo de manifestação armada, por mais justas que sejam suas reivindicações.

Mas, além de coerente com a democracia, ela impediria que essa articulação nacional, que vem se revelando desde a greve da Bahia, desemboque em uma delicada questão militar, como outras que já embaralharam nossa história política.

Os experientes e preparados policiais, que formam a maioria do corpo, certamente saberão exercer suas funções sob a disciplina civil.

Continua sendo um paradoxo, todavia, que os PMs sejam tratados como essenciais apenas nos deveres, não na remuneração, caso de outros profissionais como os área da saúde e da educação.

Pouco a pouco os servidores compreenderão a necessidade de concentrar esforços na discussão dos orçamentos, onde se elegem as prioridades e se reparte o bolo.

Quem sabe nessa hora possamos discutir ao mesmo tempo dos reajustes, o custo das emendas parlamentares ou o dinheiro desperdiçado na comunicação, quando pagamos aos governos para que façam propaganda para nós mesmos.

* Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog http://semjuizo.blogspot.com/.

Disponível em: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5613206-EI16410,00.html. Acesso em: 21.02.2012.

MEU PITACO:
Não gosto quando, para falarem dos direitos dos policiais, acaba falando dos problemas que existem como milícias, crimes e bicos, porque penso que, assim, ao invés de ajudar acaba atrapalhando no processo de melhoria das condições de vida dos valorosos policiais militares ("combatentes", bombeiros, rodoviários estaduais e florestais), e se fosse para lembrar dos problemas, era preciso – para ser justo – que todo crítico, ao criticar os outros, pelo menos lembrasse das mazelas que existem no seu de sua própria corporação (entre os juízes, no exemplo do autor da matéria ora comentada). Mas resolvi publicar a matéria porque, em seu bojo – em que pese a ressalva acima apresentada por mim –, tem-se grande validade quando questiona a necessidade de se ser militar.

Eu, que já fui policial militar, percebo que toda a formação militar é – ainda hoje –, mesmo que de forma inconsciente, baseada na humilhação, no sofrimento físico e psíquico (com a ideia de que "o soldado que conseguir passar por tudo isso durante a formação estará preparado para enfrentar qualquer problema durante a vida profissional e para aceitar tranquilamente a disciplina"). Mas isso, ao invés de ser algo bom, cria pessoas (não todos, porque muitos conseguem superar tudo isso) que, inferiorizadas e humilhadas, quando têm a chance acabam fazendo o mesmo com a população.

Portanto, eu sugeriria que, mesmo que a polícia continue sendo "militar", que a sociedade conseguida implantar nela todos os direitos e respeitos constitucionais, para que a única coisa de militar nela fosse a farda, as graduações e o nome. Porque essa história de que a polícia militar não pode fazer greve por ser armada é um absurdo... (Os grevistas não precisam estar portando suas armas!). Como é que as outras polícias (federal, civil, etc.), sendo tão armadas quanto a militar, podem fazer greve?

E sobre a “disciplina e a hierarquia”, que os defensores do militarismo dizem que são necessárias e que, por isso dizem precisar continuar sendo militares: será que em todas as outras formas de organizações não existe isso? É claro que existe. Mais ou menos, dependendo da motivação do pessoal em continuar na corporação e, em muito, da dedicação dos superiores em aplicar as os estatutos e normas internos, porque em todos os lugares existem regulamentos sobre graduações, mando e obediência, senão nenhum outro lugar (além do militar) funcionaria razoavelmente!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Contra a apologia à bebiba alcoólica

Achei este comentário no facebook e resolvi reproduzir aqui por ser, para mim, muito verdadeiro e algo que, penso, estamos precisando levar a sério, adotar, divulgar:


Por que as pessoas acham incrivelmente lindo viver procurando motivos para se embriagar? Mulheres, jovens, adolescentes, homens, o álcool só traz sofrimento, destruição, não existe dor maior no mundo, ver pessoas que você ama degradando a vida, a saúde e sua família, e, com toda sinceridade, NÃO É SER RADICAR, é ser REALISTA. Só quem teve a família destruída, só quem já perdeu pessoas que amaram, só quem vive COM O ALCOOLISMO DENTRO DE CASA sabe o quanto dói a degradação diária que um alcoólatra causa em si próprio e em quem vive ao seu lado.
APRENDA A SE DIVERTIR NESSE FERIADO DE FORMA SAUDÁVEL.
~ Quem sente na pele sabe.
(Emily Alves)


É isso. Eu até não consigo ser radicalmente contra uma cervejinha, uma caipirinha ou um vinho(zinho)... Mas se for para tomar o suficiente para, uma hora ou outra, "fazer besteira" (acidentes automobilíticos - que prejudica o próprio que bebeu ou terceiros, com danos materias, mortes, sequelas leves ou graves; violência - com brigas, agressões verbais e/ou físicas, mortes; problemas familiares; gastos que farão falta em casa...), aí seria melhor não ter nem a história do "bebo socialmente"! E olha que no Brasil todos os dias milhares de pessoas morrem ou ficam deficientes por a bebida alcoólica ter se tornado algo tão valorizado por tanta gente!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Criticazinha

Hoje vi no sítio* da Prefeitura de Foz do Iguaçu a notícia da conclusão das obras do Centro Municipal da Juventude. Fiquei feliz porque é uma obra imponente, interessante e importante, mas o fato da dita matéria ter colocado que "A orientação do prefeito Paulo Mac Donald Ghisi é que os Centros da Juventude [...] sejam administrados da mesma forma que os centros de convivência” (grifo nosso) fez lembrar que ele já está terminando o mandado e ainda não construiu as dezenas (umas 4 dezenas) de Centros de Convivências, o Parque Linear do Rio M'Boicy, a Perimetral Leste, a Avenida Papa João Paulo II... E aí: Como ainda dizer que fará, também, vários Centros da Juventude?

Ah! Já que estamos falando de obras não feitas ou a fazer, gostaria de dizer que um "absurdo dos absurdos" é aquele pedaço da Rua Jorge Sanways acima do Centro (e Escola) Érico Veríssimo (e as ruas à frente deste) ser de terra: Quando chove envermelhece de barro todo o complexo educacional; e quando falta chuva envermelhece de poeira. Será que entre tanta coisa pensada e feita não poderia resolver aquele problema? E mais: Essa mesma Rua Jorge Sanways já é quase trafegável desde a Avenida Beira Rio até o Bairro Copacabana. Por que não completá-la (que é fácil, fácil; só tem três pequenos obstáculos a serem “trabalhados”) para que tenhamos mais uma via de trânsito centro-bairro e vice-versa de Leste a Oeste da cidade?

* Na maioria das vezes me referirei a site dessa forma. Assim como aos pertencentes aos Estados Unidos da América como estadunidenses, para diferenciar dos mexicanos e canadenses que também são norte-americanos.

Motivação no Serviço Público

Estou fazendo um curso de Gestão Pública. Fiz um comentário nele e resolvi colocá-lo também aqui, conforme segue:

Falando a partir das organizações públicas que conheço, penso que é dado muito pouco valor à Psicologia, sempre pensando (tanto gestores quanto servidores em geral e público externo) que se o serviço não é bom (ou os servidores estão desmotivados) a culpa é individual e intencional, por acomodação, desrespeito... Penso que está na hora de se estudar mais seriamente "o espírito de cada local de trabalho" e encontrar formas de fazer com que os servidores possam se realizar (mudando de função, ou fazendo formação continuada, ou fazendo meditação, ou mesmo podendo se preparar para mudar de cargo caso esta seja sua aspiração). O que não dá é para jogar a culpa em cada um e deixar tudo como está!

Quanto ao que um colega falou, dizendo que "precisamos fazer nossa parte, mas devemos esperar porque Deus é que sabe a hora em que seremos retribuidos com o sucesso", filosoficamente eu não concordo quando se coloca DEUS no meio desse tipo de discussão, porque quando se fala que "Ele sabe a hora" e coisa e tal, fica parecendo que a responsabilidade pelo sucesso ou insucesso é de Deus e não nossa! Mas critico também a linha de pensamento que mostra um Honda, um Pelé, um Sílvio Santos ou um Bill Gates como exemplo como se "com esforço todos conseguiriam sucesso, e se não conseguiu foi porque não se esforçou".

Ora, desde que lecionei no Ensino Médio eu refleti sobre o assunto e passei a dar um exemplo: "Imagine que todos resolvessem se esforçar tanto que todos virassem doutores: se não tiver campo (emprego, espaço) suficiente, teremos doutores tentando ser garis e, mesmo assim, não conseguindo"; ou outro: "Não adianta dar o peixe nem ensinar a pescar se não houver peixe a ser pescado". Portanto, esse tema é complexo e não pode ser esgotado rápida e facilmente!

Nome de Guerra

O escrito a seguir foi feito para ser publicado num jornal de um colega da Guarda Municipal, mas como está demorando muito para sair lá, ei-lo!

Com doze anos de idade entrei na Guarda Mirim de Foz do Iguaçu, uma instituição maravilhosa que, naquela época, proporcionava três refeições diárias, cursos, esportes, atividades laborais remuneradas (que ajudava na minguada economia familiar da maioria de nós e na formação da personalidade voltada para a disposição para o trabalho) e, sendo extremamente semelhante às instituições militares, o uso de “farda”, a prática de “ordem unida”, “formatura” diária para hasteamento e arriamento da Bandeira Nacional e o convívio com o sistema de graduação que ia de soldado até coronel, além do uso do “nome de guerra”.

Logo depois, com dezoito anos e meio, entrei na Polícia Militar, tendo feito a Primeira Escola de Soldados do 14º BPM, portanto, continuando com o uso do “nome de guerra”.

“Agora”, na Guarda Municipal desde 1994, continuo com o “nome de guerra”.

Assim, com essa experiência toda, e como nunca pude usar meu próprio nome como “de guerra”, porque sempre já havia outros “Valdires”, e insatisfeito com isso, e que certa vez pedi usar o nome Valdir II, e que foi indeferido com o argumento de que o II não faz parte de meu nome e que precisa fazer para que, no nome inteiro, seja destacado o “de guerra”, resolvi argumentar o seguinte:

1º) É fácil resolver o problema do destaque do nome, porque, na verdade, isso não é necessário: basta que, quando precisar colocar o nome inteiro e o “de guerra”, se coloque este num quadro distinto ou à frente daquele, entre parênteses;

2º) É importante termos outra possibilidade além do nome, dos sobrenomes e de suas combinações e/ou abreviações, porque pode acontecer situações em que todas essas opções sejam incompatíveis.

Portanto, seria interessante e é possível estabelecer que o “nome de guerra” possa ser o nome e o acréscimo de algarismo romano, possibilitando que eu, por exemplo, que gostaria de ser conhecido pelo meu primeiro nome, não mais fosse obrigado a permanecer com o sobrenome.

Aliás, o “nome de guerra” poderia ser, inclusive, um apelido, restringindo-se apenas aqueles que sejam chulos, ofensivos ou depreciativos, fazendo com que, novamente no meu exemplo, pudesse pedir para usar algo como o já consagrado Naná.

Outra coisa, que já ajudaria um pouco: como bem me lembrou o Inspetor de Área D. Johann, quando um é graduado e outro não, poder-se-ia os dois usarem nomes iguais, porque antes do nome vem a graduação e isso já é suficiente para não haver confusão.

Ah! Sempre coloquei “nome de guerra” entre aspas por não concordar com essa terminologia, porque não estamos em guerra. Penso que seria mais conveniente, mais de acordo com uma Instituição que quer ser “comunitária”, usar o termo “nome de guarda” ou “nome único”, neste caso significando que não há outro igual.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Órgãos de Segurança de Foz do Iguaçu

Foz do Iguaçu faz fronteira com Argentina e Paraguai, sendo que com este, através da Ponte Internacional da Amizade, é verdadeiramente unida a Ciudad del Este (Cidade do Leste em português), uma das cidades mais movimentadas do mundo para aquisição de mercadorias importadas: “A cidade é responsável por 10% do PIB paraguaio que é de 150 bilhões de dólares e é a terceira maior zona franca de comércio do mundo (após Miami e Hong Kong)” (Wikipedia).

Por sua vez, o Parque Nacional do Iguaçu e as Cataratas do Iguaçu recebem anualmente mais de um milhão de visitantes: “Faltando ainda três meses para o fim do ano o PNI – Parque Nacional do Iguaçu contabilizou no dia 3 de outubro de 2011 mais de um milhão de visitas” (Iguassureporter).

Por isso Foz do Iguaçu tem um dos maiores números de órgãos de segurança do país, sendo: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, Polícia Militar, Polícia Florestal, Polícia Civil e, desde 1994, a Guarda Municipal.

Referências:
1. WIKIPEDIA. Ciudad del Este.

2. IGUASSUREPORTER. Cataratas registrou 1 milhão de visitantes em 276 dias de 2011. 4/10/2011.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Desinteressado Político

O desinteressado político é o pior dos analfabetos.

Ele não lê, não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, da carne, do aluguel, das roupas e do remédio dependem das decisões políticas.

O desinteressado político é tão analfabeto que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política.

Não sabe ele que do seu desinteresse político nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante, a maioria das doenças, mortes e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

(Pequena adaptação de “O Analfabeto Político”, de Bertold Brecht)

Elogio da Dialética

Bertold Brecht

A injustiça passeia pelas ruas a passos largos.
Os dominadores fazem planos para dez mil anos.
Só a força os garante. Dizem que tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Este é apenas o começo!

Entre os oprimidos, muitos dizem:
Jamais se realizará o que queremos!

O que ainda vive nunca diga jamais!
O seguro não é seguro. Nada ficará como está.
Quando os dominadores falarem,
Falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer jamais?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Como pode calar-se quem reconhece a situação?
Os vencidos de hoje serão os vencedores de amanhã.
E um novo hoje nascerá do “jamais”.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Olhar Inquietante

Ontem
por estar sozinho e sem sono
resolvi ir no Jeca Espetinho
comer umas batatas fritas e tomar uma cerveja

Fui tranquilo
como se fosse mais um dos dias normais
mas percebi que todos os frequentadores do local
sem exceção
estavam esquisitos

uns pareciam trogloditas
outros excessivamente afetados
outros vermes
uns “vermões” como larvas
corós enormes
Ou os vampiros do filme Padre
De Scott Charles Stewart

Os menos estranhos
Eram iguais a mim
Com olhares inquietantes
Como se também estivem vendo algo surreal

Por Manitu!
Ainda bem que nem tomei a cerveja
Senão ia pensar que era efeito etílico
E não teria consciência da veracidade daquela percepção

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Espírito Poeta

Espírito poeta?
Tive-o
Mas o perdi na Filosofia.

Hoje esforço-me
Mas não sai nenhuma poesia
Nem boa nem ruim.

Quisera conseguir
Para dizer belamente
Sentimentos do que há de bom ou de real
Neste mundo atual...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

IDEIAS INQUIETANTES

E a grande jornada começou...
Sempre procurando ir em frente,
Mas muitas vezes começando tudo de novo...

Dá uma enorme aflição:
Sabe que deve sempre continuar,
Mas se não começar pelo novo caminho...
Então começa...

Não é fácil nem explicar...
A vida vai passando,
E não consegue se realizar...

Se acha!
Tudo passa a ser lindo...
Não se preocupa com mais nada.
De repente...

Lá está de novo,
Fazendo as coisas desde o começo,
Pensando que agora dará certo.

Foz, 07/02/85

Futebol

Eu, nessa época de final de campeonato, começo a achar que não sou normal (ou que nem sou humano), porque não gosto de futebol (ou melhor, nem não gosto nem gosto) e acho um absurdo como as pessoas torcem a favor ou contra esse ou aquele time.

Mas, sei lá: talvez sejam esses sentimentos que deem sentido à vida das pessoas humanas (Gosto tanto desse termo: "pessoas humanas". Porque o sentimento das pessoas que não são humanas também existe, segundo quem precisa dizer que são "pessoas humanas" mesmo quando é para falar de sentimento, de pensamento, amor, ódio, compreensão... É cada coisa!).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

LIBERDADE

“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade” (DUDH, Art. 1º).

Liberdade,
É as folhas serem movidas pelo vento,
É os pássaros voarem com as asas,
E os homens com o pensamento.

Liberdade,
É as pessoas terem sol,
Mas ter sombra quando quiserem.
É ter chuva,
Mas não serem obrigadas a se molhar.

Liberdade,
É correr,
Sempre para algo melhor,
Sem que ninguém trace o caminho.
É receber apoio dos amigos nas horas difíceis.

Liberdade,
É poder pensar num futuro melhor,
Sem o perigo de “forças estranhas” interferirem.
É poder andar descalço,
Sem o perigo de se contaminar
Por sujeiras deixadas por outros.

Liberdade,
É poder alertar para o que está errado;
É poder pensar,
Poder falar,
Escrever...

Liberdade,
É ter silêncio quando se quer ou precisa,
Mesmo numa cidade grande;
É ter ar puro,
Em toda parte do mundo.

Liberdade,
É ser livre para fazer o que se quer,
Para sentir a liberdade...

Foz, 17/05/85

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sociedade Protetora dos Animais Humanos

Vejo tanta gente abandonada, sem cuidados, sofrendo, e tanta Sociedade Protetora dos Animais cuidando apenas de quadrúpedes ou bípedes penosos, que penso estar na hora de alguns desses defensores da vida animal lembrarem que também somos animais, “animais mamíferos, bípedes, que se distinguem dos outros mamíferos, como a baleia, ou bípedes, como a galinha principalmente por duas características: o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor”.

Gostaria que percebessem que: “o telencéfalo altamente desenvolvido permite aos seres humanos armazenar informações, relacioná-las, processá-las e entendê-las; o polegar opositor permite aos seres humanos o movimento de pinça dos dedos o que, por sua vez, permite a manipulação de precisão”, mas que, como animais que também somos, também poderiam dispensar atenção e recursos para com os de nossa espécie que estão à míngua por aí.

Cadê abrigos para os que, por um motivo ou outro, estão sem clãs, sem amigos, sem lar? Cadê comida, carinho? Por que cachorros ou répteis peçonhentos e traiçoeiros merecem mais atenção que, por exemplo, aquela senhora já idosa que anda pelas ruas com um saco nas costas e passa fome e frio até quase morrer? Por que não criam uma SPAH - Sociedade Protetora dos Animais Humanos?

E eu, que por força das circunstâncias existenciais às vezes sou chamado a tentar resolver alguma dessas situações, só tenho para onde encaminhar os quadrúpedes e bípedes penosos, sendo que os da espécie a que penso pertencer não têm ninguém que tenha criado uma estrutura adequada para recebê-los, e não tem ninguém que os queira... Principalmente à noite, nos finais de semana, feriados, recessos...!

Obs.: Partes entre aspas retiradas do curta-metragem Ilha das Flores.

domingo, 4 de dezembro de 2011

BUSCA

Preso ao próprio ser.
Agarrado à própria natureza.
Emprestado ao próprio organismo.
Perdido no deserto humano.
Buscando suas próprias raízes.
Querendo encontrar-se
na sua própria vida.
Eis-me!

(Soly)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Propugnar por menos, igual ou mais vereadores?

Várias organizações de Foz do Iguaçu (Veja lista no final) estão empenhadas numa luta pelo não aumento do número de vereadores e, em segundo plano, pela diminuição do orçamento daquela casa de leis para a metade do que faculta a Lei Maior.

A priori parece que quase toda a população é favorável a isso, ainda mais que quem vai contra um "movimento" respaldado por instituições fortes (principalmente no aspecto econômico, que permite fazer "a sua verdade" ser majoritária, imposta) encontra muita oposição, não consegue espaço para apresentar e debater suas ideias. Mas eu vejo que, ao menos no primeiro aspecto da luta, estão totalmente equivocados e prestando um desserviço à democracia, porque quanto mais representantes do povo tivéssemos no Legislativo (Municipal), maior seria a possibilidade de termos nossos anseios atendidos, e isso sem a necessidade de haver maiores gastos.

Eu não analisei individualmente as signatárias, mas, no geral, organizaram e/ou contribuíram para um movimento que, como disse no parágrafo anterior, é equivocado e denotador de inconsistência política ou interesses velados. Primeiro, porque quanto mais vereador tivéssemos, mais representatividade teríamos, fazendo com que uma pessoa mais simples, "sem tanto relacionamento, eloquência convencedora de multidões e recursos financeiros próprios ou de terceiros" pudesse ser eleita, o que faria com que fosse mais provável termos entre os vereadores algumas pessoas mais próximas, mais vizinhas mesmo (mais acessíveis, mais fáceis de serem encontradas, cobradas), ou, mesmo não sendo nossas conhecidas, que fossem em número razoável os que não aceitam esconder a verdade, que, assim, denunciassem qualquer irregularidade que viesse a ocorrer nos bastidores do poder legislativo. Segundo, porque não é o fato de ter mais vereadores que, automaticamente, teríamos mais despesa, porque poderíamos pensar em diminuir drasticamente o número de assessores (que ganham quase igual ou até mais que os vereadores), porque, apesar de um ou outro vereador usá-los realmente para trabalhar, muitos os têm apenas para poder apadrinhar alguém ou mesmo somar mais ganhos aos seus salários. Terceiro, porque uma Câmara poderá ter poucos vereadores e, através de outros salários, mordomias e gastos desnecessários, gastar todo o repasse que a Prefeitura, por lei, é obrigada a fazer. Quarto, porque o movimento foi baseado numa pesquisa feita numa conjuntura em que a sociedade está ignorante quanto à importância e imprescindibilidade dos políticos, sendo que, se fosse para radicalizar (como vi num email que está circulando para chamar as pessoas para lutar contra a corrupção), muita gente acha que poderíamos "acabar com todos os políticos do Legislativo, com todos os Legislativos, porque tudo isso não serve para nada", e, assim, sem conscientização, sem a possibilidade de alguém defender outras alternativas que não esta, com certeza a maioria da população aprova tais medidas reducionistas, e se aproveitar disso para lutar por algo é oportunismo (ou ser ignorante com outros ignorantes).

É isso. Penso que elenquei minhas razões, e penso que vários outros, políticos ou não, não deram suas razões contrárias porque foram massacrados pela onda que, originada de sucessivos abalos, segue esse rumo!

Lista:
Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Regional Oeste PR – ABIH; Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu – ACIFI; Centro Cultural Beneficente Islâmico; Conselho do Jovem Empreendedor de Foz do Iguaçu – COJEFI; Conselho Municipal do Turismo – COMTUR; Conselho Regional de Contabilidade do Paraná – CRCPR; Igreja Católica; Iguassu Convention & Visitors Bureau; Lions 3 Fronteiras; Lions Clube Itaipu; Loja Maçônica Acácia do Iguaçu; Loja Maçônica Cataratas do Iguaçu; Loja Maçônica União das 3 Fronteiras; Loja Maçônica Universitária Panamericana; OAB Foz do Iguaçu; Observatório Social de Foz do Iguaçu; Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná – SecoviPR; Sindicato da Indústria da Construção Civil do Oeste do Paraná – Sinduscon/OestePR; Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento – SescapPR; Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz do Iguaçu e Região – Sindhotéis; Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilifdades de Foz do Iguaçu – Sincofoz; e Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Foz do Iguaçu e Região – Sindlojas.

A IGREJA E O MUNDO

A Igreja, quando verdadeira – no sentido de séria –, existe para levar as pessoas a uma vida espiritual que faça com que possam ser felizes. Mas para se ter felicidade é também necessário que se tenha uma vida material digna, que possua o necessário para uma boa alimentação, moradia, educação, instrução, saúde, lazer, etc.

Por isso não há condições de uma instituição, e seus integrantes, ficar simplesmente com preocupações espirituais, sem ligação com o mundo temporal (material, terreno). É preciso que a Igreja esteja também preocupada com a vida material das pessoas.

De nada adianta as pessoas terem esperanças e não fazerem algo concreto. É necessário que a Igreja esteja empenhada, sempre tendo em vista a honestidade, a fraternidade – que é seu carisma natural – para que exista política, segurança, comércio voltados para a construção de um mundo melhor, mais igualitário, fraterno.

A Igreja Católica, desde o Concílio Vaticano II, está mais aberta a essas idéias, e está lutando, com algumas exceções e muitas dificuldades, para que nenhum crente seja um alienado, mas sim ligado à realidade, sem esquecer que, segundo as religiões, tudo o que fazemos é porque Alguém deu-nos condições para conseguir.

Existem outras denominações cristãs (e não-cristãs) que estão percebendo esta necessidade de estarmos engajados na realidade temporal e fazermos algo de concreto, pois perceberam que “Deus quis precisar de nós para realizar sua obra”, ou seja, é através das pessoas que Ele quer construir um mundo onde todos sejamos irmãos, onde todos vivam a solidariedade e a fraternidade.

Só lutando por essa conscientização, para que unidos façamos o nosso destino, é que a Igreja poderá dar a paz espiritual ao homem. A conscientização do ser humano é o caminho inevitável para que a Igreja realize sua missão no mundo. Por isso é necessário que esses padres, pastores, que teimam em dizer que Igreja não tem nada a ver com política, economia, desemprego, favelas, descubram que tem sim, e que passem a “ser Igreja” de uma forma comprometida com o mundo.

Com tal atitude, a Igreja – e seus representantes – passa a ter enormidades de opositores, mas estará levando o homem a viver consciente de o que deve ser feito para existir igualdade e felicidade aqui e agora, não só depois da morte, num lugar ainda utópico.

Não podemos esperar por uma felicidade que “só virá depois da morte”. É necessário que sejamos felizes já neste mundo, por isso é que a Igreja deve ajudar a todos na busca dessa felicidade, ocupando-se do homem em toda sua existência e não só na parte espiritual, pois a espiritual não poderá ser boa se a material também não for.

Postscriptum: Quando escrevi este "assunto", em 27.03.2001, ainda acreditava um pouco mais nas Igrejas. Hoje acredito menos, porque vejo que estamos passando por um período em que surgem muitas Igrejas mais e mais alienantes, sendo que inclusive a Católica Romana, que eu havia dito que era exceção a parte alienada, agora está crescendo essa parte e em muitos lugares já é maioria, ou quese totalidade. Mas na essência continuo pensando que elas precisariam (ou precisam) contribuir mais com as coisas do mundo!

SENTIMENTOS

Tanta gente morrendo de fome,
Mesmo antes de poder lutar pela vida!

Quando se vê tantas coisas erradas
Vêm estranhos sentimentos...
Sente-se raiva dos dirigentes,
Sente-se pena dos injustiçados,
Sente-se na obrigação de ajudar...
Fazer alguma coisa por essa gente!

Quem é responsável,
O que sente com uma realidade como esta?...
Seres humanos nascem e logo morrem... de fome.
Não teve sequer uma chance para “autoviver”!
Os pais já estavam quase mortos também!

Tanta riqueza no mundo!
Eles podiam ajudar,
Acabar com esta situação...

Mas...

Enquanto fabricam armas,
E matam com elas,
Muitos morrem por elas existirem;
Simplesmente por elas existirem...
Tantos gastos!...

Será que todo mundo tem que ser assim?
Quando não tem, diz que não dá porque não tem;
Quando tem,
Nem se lembra mais de ajudar quem precisa...
O que passa a sentir?...

Quem tem o poder nas mãos,
Quais são os sentimentos deles?
Sabem que poderiam usá-lo para o bem,
Mas usam para o mal...
Em vez de fazerem a paz,
Fazem a guerra.
Em vez de ajudarem quem sofre,
Fazem quem não sofria sofrer...

Por que fazem guerras?
Será que não se sentem melhor na paz?

Foz, 04/01/85